domingo, 18 de dezembro de 2011

A EVOLUÇÃO ANÍMICA

GABRIEL DELLANE


"Quer sob o ponto de vista do instinto, quer sob o da inteligência ou o do sentimento, não existe outra diferença senão de grau entre a alma dos animais e a do homem. O mesmo princípio imortal anima a todas as criaturas vivas. De começo,  manifesta-se de modo elementar, nas ínfimas gradações da existência; pouco a pouco se vai aperfeiçoando na sua grande evolução, desenvolve as qualidades que tinha em gérmen e as manifesta de forma mais ou menos análoga à nossa à medida que se aproxima da humanidade.


Não podemos conceber porque havia de criar Deus seres sensíveis ao sofrimento, sem lhes outorgar, ao mesmo tempo, a faculdade de se beneficiarem com os esforços que fazem por progredir.

Se o princípio inteligente que os anima estivesse condenado a ocupar eternamente a mesma posição inferior, Deus não seria justo, favorecendo o homem às expensas de outras criaturas.

Diz-nos, porém, a razão, que não é possível que tal se suceda, e a observação demonstra que há identidade substancial entre a alma dos brutos e a nossa, que tudo se harmoniza e encadeia estreitamento no universo, desde o átomo ínfimo ao sol gigantesco perdido na noite do espaço; desde a monera até o espírito superior que paira nas regiões serenas da erraticidade. 

Se supusermos que a alma se individualiza lentamente por uma elaboração das formas inferiores da natureza até chegar gradativamente à humanidade, quem não se assombrará com a maravilhosa grandeza de semelhante ascensão?

Através de milhares de formas inferiores, nos labirintos de uma ascensão não interrompida; mediante modalidades raras e sob a pressão dos instintos e a sevícia de formas inverossímeis, a cega psique se dirige para a luz, para a consciência esclarecida, para a liberdade.

Os inúmeros avatares, em milhões de organismos diferentes devem dotar a alma de todas as forças que lhe hão de servir mais tarde;  têm por objeto desenvolver o envoltório fluídico, fixar nele as leis cada vez mais complicadas que regem as formas vivas, e criar-lhes um tesouro por meio do qual chegará, com o tempo, a manipular a matéria de modo inconsciente, para que o espírito possa  prosseguir sem o óbice dos liames terrenos."





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