sábado, 19 de novembro de 2011

AUGUSTO CURY - O VENDEDOR DE SONHOS

Certa vez houve uma inundação numa imensa floresta.
O choro das nuvens que deveriam promover a vida dessa vez anunciou a morte.
Os grandes animais bateram em retirada fugindo do afogamento, deixando até os filhos para trás.
Devastavam tudo o que estava à frente.
Os animais menores seguiam os seus rastros.
De repente uma pequena andorinha, toda ensopada, apareceu na contramão procurando a quem salvar.
 As hienas viram a atitude da andorinha e ficaram admiradíssimas. 
Disseram: “Você é louca, o que poderá fazer com um corpo tão frágil?”
Os abutres bradaram: “Utópica! Veja se enxerga a sua pequenez!” 
Por onde a frágil andorinha passava, era ridicularizada.
Mas, atenta, procurava alguém que pudesse resgatar.
Suas asas batiam fatigadas, quando viu um filhote de beija-flor debatendo-se na água, quase se entregando.
Apesar de nunca ter aprendido a mergulhar, ela se atirou na água e com muito esforço pegou o diminuto pássaro pela asa esquerda.
E bateu em retirada levando o filhote no bico.
Ao retornar, encontrou outras hienas, que não tardaram muito a declarar: “Maluca! Está querendo ser heroína!”
Mas não parou; muito fatigada, só descansou após deixar o pequeno beija-flor em local seguro.
Horas depois encontrou as hienas embaixo de uma sombra, fitando-as nos olhos, deu a sua resposta:

“Só me sinto digna de minhas asas se eu as utilizar para fazer os outros voarem.”


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