sábado, 16 de outubro de 2010

Arthur Schopenhauer

" Perdoar e esquecer equivale a jogar pela janela experiências adquiridas com muito custo. Se uma pessoa com quem temos ligação ou convívio nos faz algo de desagradável ou irritante, temos apenas de nos perguntar se ela nos é ou não valiosa o suficiente para aceitarmos que repita segunda vez e com frequência semelhante tratamento, e até de maneira mais grave. Em caso afirmativo, não há muito a dizer, porque falar ajuda pouco. Temos, portanto, de deixar passar essa ofensa, com ou sem reprimenda; todavia, devemos saber que agindo assim estaremos a expor-nos à sua repetição. Em caso negativo, temos de romper de modo imediato e definitivo com o valioso amigo ou, se for um servente, dispensá-lo. Pois, quando a situação se repetir, será inevitável que ele faça exactamente a mesma coisa, ou algo inteiramente análogo, apesar de, nesse momento, nos assegurar o contrário de modo profundo e sincero. Pode-se esquecer tudo, tudo, menos a si mesmo, menos o próprio ser, pois o carácter é absolutamente incorrigível e todas as acções humanas brotam de um princípio íntimo, em virtude do qual, o homem, em circunstâncias iguais, tem sempre de fazer o mesmo, e não o que é diferente. (…) Por conseguinte, reconciliarmo-nos com o amigo com quem rompemos relações é uma fraqueza pela qual se expiará quando, na primeira oportunidade, ele fizer exactamente a mesma coisa que produziu a ruptura, até com mais ousadia, munido da consciência secreta da sua imprescindibilidade."




Arthur Schopenhauer




SPINOZA


"Benevolentia nihil aliud est, 

quam cupiditas ex commiseratio orta"

       "a bondade não é mais que o amor nascido da compaixão"

                                             


Spinoza




sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A gratidão

O homem, por detrás do balcão, olhava a rua de forma distraída, quando uma garotinha se aproximou da loja e amassou o narizinho contra o vidro da vitrina...
Os olhos da cor do céu brilharam quando viu determinado objeto. Entrou na loja e pediu para ver o colar de turquesas azuis.
"É para minha irmã. Pode fazer um pacote bem bonito?
O dono da loja olhou desconfiado para a garotinha e lhe perguntou:
" - Quanto dinheiro você tem?". Sem hesitar, ela tirou do bolso da saia um lenço todo amarradinho e foi desfazendo os nós. Colocou-o sobre o balcão e disse:
"- Isto dá, não dá?..." Eram apenas algumas moedas, que ela exibia orgulhosa...
" - Sabe, eu quero dar este colar azul para a minha irmã mais velha... Desde que nossa mãe morreu, ela cuida da gente e não tem tempo para ela. É aniversário dela e tenho certeza que ela ficará feliz com o colar que é da cor dos seus olhos.
"O homem foi para o interior da loja, colocou o colar em um estojo, embrulhou com um vistoso papel vermelho e fez um laço caprichado com uma fita verde.
- Tome, leve com cuidado! Ela saiu feliz, saltitando pela rua abaixo.
Ainda não acabara o dia quando uma linda jovem, de longos cabelos loiros e maravilhosos olhos azuis, adentrou a loja.
Colocou sobre o balcão o já conhecido embrulho, desfeito, e indagou:
- Este colar foi comprado aqui?
- Sim, senhora.
- E quanto custou?
- Ah, falou o dono da loja, o preço de qualquer produto da minha loja é sempre um assunto confidencial entre o vendedor e o freguês...
A moça continuou: "mas minha irmã tinha somente algumas moedas... O colar é verdadeiro, não é? Ela não teria dinheiro para pagá-lo!".
O homem tomou o estojo, refez o embrulho com extremo carinho, colocou a fita e devolveu à jovem, dizendo:
- Ela pagou o preço mais alto que qualquer pessoa pode pagar... Ela deu tudo o que tinha!

O silêncio encheu a pequena loja, e duas lágrimas rolaram pelas faces da jovem, enquanto suas mãos tomavam o embrulho e ela retornava ao lar, emocionada...



Verdadeira doação é dar-se por inteiro, sem restrições, pois quem ama não coloca limites para os gestos de ternura.

Como a menina da história, que busquemos ter sempre vivo o sentimento de gratidão, por tudo o que temos recebido, em cada momento de nossas vidas.

A volta é que faz o anzol


Nas relações humanas no trabalho, existem apenas 3 regras:
Regra número 1:
Colegas passam, mas inimigos são para sempre. A chance de uma pessoa se lembrar de um favor que você fez a ela vai diminuindo à taxa de 20% ao ano. Cinco anos depois, o favor será esquecido. Não adianta mais cobrar. Mas a chance de alguém se lembrar de uma desfeita se mantém estável, não importa quanto tempo passe. Exemplo: se você estendeu a mão para cumprimentar alguém em 1997 e a pessoa ignorou sua mão estendida, você ainda se lembra disso em 2007.

Regra número 2:
A importância de um favor diminui com o tempo, enquanto a importância de uma desfeita aumenta. Favor é como um investimento de curto prazo. Desfeita é como um empréstimo de longo prazo. Um dia, ele será cobrado, e com juros.

Regra número 3:
Um colega não é um amigo. Colega é aquela pessoa que, durante algum tempo, parece um amigo. Muitas vezes, até parece o melhor amigo. mas isso só dura até um dos dois mudar de emprego. Amigo é aquela pessoa que liga para perguntar se você está precisando de alguma coisa.

Ex-colega que parecia amigo é aquela pessoa que você liga para pedir alguma coisa, e ela manda dizer que no momento não pode atender. Durante sua carreira, uma pessoa normal terá a impressão de que fez um milhão de amigos e apenas meia dúzia de inimigos. Estatisticamente, isso parece ótimo. Mas não é. A “Lei da Perversidade Profissional” diz que, no futuro, quando você precisar de ajuda, é provável que quem mais poderá ajudá-lo é exatamente um daqueles poucos inimigos.

Portanto, profissionalmente falando, e pensando a longo prazo, o sucesso consiste, principalmente, em evitar fazerem inimigos. Porque, por uma infeliz coincidência biológica, os poucos inimigos são exatamente aqueles que têm boa memória.

MAX GEHRINGER

A canoa

Em um largo rio, de difícil travessia, havia um barqueiro que atravessava as pessoas de um lado para o outro. Em uma das viagens, iam um advogado e uma professora. Como quem gosta de falar muito, o advogado pergunta ao barqueiro:
- Companheiro, você entende de leis?
- Não, respondeu o barqueiro. E o advogado compadecido:
- É pena, você perdeu metade da vida.

 A professora muito social, entra na conversa: 
- Seu barqueiro, você sabe ler e escrever?

- Também não, respondeu o barqueiro.
- Que pena! Condói-se a mestra.
- Você perdeu metade de sua vida!

Nisso chega uma onda bastante forte e vira o barco. O barqueiro preocupado, pergunta:
- Vocês sabem nadar?
- NÃO! Responderam eles rapidamente.
- Então é uma pena- Conclui o barqueiro.
- Vocês perderam toda a vida.

Não há saber maior ou saber menor. Há saberes diferentes.

Pense nisso e valorize todas as pessoas com as quais tenha contato. Cada uma delas tem algo      de  diferente para ensinar. .

                                                                                              (Paulo Freire)


                                                                        

QUANDO MUDA O JEITO DE OLHAR

Era uma onça danada! Dava conta de tudo o que acontecia no meio dos matos! Seu espírito crítico era felino e implacável! Tudo ela percebia e criticava! Nada lhe passava despercebido. Ela enxergava defeitos em tudo e em todos, com um olhar penetrante e atento! E soltava o verbo sem dó nem piedade...


Um dia, porém, aquela onça começou a sentir a vista meio cansada. Ela já não enxergava mais como antes ... e resolveu consultar o oftalmologista de plantão. Falou de seu problema de perda de visão e o oftalmologista resolveu fazer uma cirurgia. Assim aconteceu e, cirurgia feita, a onça se mandou novamente pelos matos.

No entanto, algo de muito estranho estava acontecendo: agora, aquela onça estava enxergando coisas terríveis, tão terríveis como nunca antes havia enxergado! O que estaria acontecendo? Será que as coisas haviam mudado tanto assim na vida da selva? Por que antes nunca tinha enxergado essas coisas? Como poderia estar acontecendo agora tanta coisa horrível?

Aquela onça passou a viver amedrontada, assustada com tudo o que via! E viva inquieta, fugindo de um canto para o outro, se escondendo para não enxergar as coisas ... mas não tinha jeito: parecia que cada vez mais as coisas saltavam aos seus olhos, amedrontadoras e terríveis.

Resolveu por fim ir de novo ao oftalmologista e contar o que estava acontecendo. Admirado, o oftalmologista examinou seus olhos ... e logo, com muito espanto, descobriu seu problema: Dona Onça - disse ele, a senhora me desculpe! O erro foi meu! Quando eu fiz a cirurgia nos seus olhos, eu me enganei ... e deixei seus olhos voltados para dentro! Por isso você estranhou o que estava vendo! Como seus olhos estavam voltados para o lado de dentro, você deixou de enxergar o que estava à sua volta e passou a ver o que está dentro de você! Mas, fique tranqüila! Agora mesmo eu resolvo o problema! É só questão de recolocar seus olhos na posição certa!

E assim fez! Uma nova cirurgia ... e os olhos da onça voltaram à posição antiga!

Ela voltou novamente para a selva ... mas as coisas já não eram como antes. Ela enxergava diferente, agora. Era um jeito novo de ver as coisas ... como nunca antes havia acontecido: ela olhava os outros bichos, observava tudo o que acontecia na selva, mas achava tudo mais normal e era mais compreensiva com as falhas dos outros. Seu olhar crítico de antigamente era agora um olhar misericordioso para com as fraquezas dos outros ... simplesmente porque, depois de ter visto tanta coisa ruim quando seus olhos estavam voltados para dentro, nada mais a poderia assustar! Aquilo que via agora nos outros, era muito pequeno ... em comparação com aquilo que havia enxergado antes!

 
                                                            (Desconheço o autor)